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09/11/2010

RICOS DEMAIS

Um casal idoso do Canadá não conseguiu se adaptar à vida de milionário e resolveu doar 98% dos 19 milhões de reais que ganhou numa loteria. A doação foi feita para organizações de caridade, instituições sociais e também para hospitais onde a esposa fez tratamento contra um câncer. Semana passada o estranho gesto despertou o interesse dos jornais. Numa entrevista, o casal explicou: “Ninguém entende por que demos o dinheiro, mas nós não precisávamos daquela fortuna”.
Alguém pode pensar: “Já estão no final mesmo”. Sim, mas não seria a oportunidade para aproveitar o que resta da vida, conhecer o mundo, usufruir intensamente os prazeres do conforto, da tecnologia, sobretudo neste período quando a velhice gera inúmeras limitações?
Histórias assim impressionam. Afinal, vivemos tempos marcados pelos “prazeres da modernidade”. Dias atrás encontrei o seguinte destaque numa revista eletrônica sobre moda de roupa: “Glamour e hedonismo podem ser adquiridos a preços acessíveis”. Chamou-me atenção a palavra hedonismo. É uma filosofia da Grécia antiga que considera o prazer a finalidade da vida. Jesus usou esta palavra na parábola do Semeador, ao dizer que “as sementes que caíram no meio dos espinhos são as pessoas que ouvem a mensagem. Porém as preocupações, as riquezas e os prazeres (hedonón no grego) desta vida aumentam e sufocam essas pessoas. Por isso os frutos que elas produzem nunca amadurecem” (Lucas 8.14). Os frutos da fé nele, bem sabemos, são o amor ao próximo, um amor maravilhosamente exemplificado em outra parábola, a do bom samaritano (Lucas 10.25-37).
E não é preciso ser milionário para obedecer o que Jesus diz no fim da história bíblica “vá e faça a mesma coisa”. A cada dia, cada hora, no nosso caminho surge alguém “assaltado” por problemas e necessidades. Para ajudá-lo, teremos que sair do conforto de nossa rotina, dos trilhos de nossa comodidade. Mas, como disse este casal bondoso, eles se consideravam felizardos apenas por estarem vivos, e tinham um ao outro. Algo parecido quando Paulo escreveu: “Pois para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho útil” (Filipenses 1.21,22).

Marcos Schmidt
pastor luterano

15/10/2010

O DOM DE ENSINAR

Deus nos concede muitos dons bonitos, mas hoje precisamos destacar um deles que é o dom de ensinar. No dia do professor, queremos lembrar todos os que colocam esse dom a serviço do próximo. Queremos lembrar e parabenizar os que se dedicam a tarefa de, não só repassar conhecimentos, mas de aprender com esses conhecimentos e de ensinar a viver. Hoje queremos lembrar e parabenizar aqueles que muitas vezes, com muitos sacrifícios, e em alguns casos até com riscos, se dispõe a ensinar.

Obrigado professor e professora, pelo teu empenho, pela tua luta, pelo teu esforço, pela tua dedicação, em não apenas transmitir conhecimento, mas por se envolver com nossos filhos, para que eles tenham mais do que informação, tenham referências.

A todos os professores e funcionários das nossas escolas, a todos os professores que atuam nas nossas Escolas Dominicais o nosso muito obrigado, que Deus renove em cada um a vocação o desejo e o amor pelo magistério.

Deus em Cristo os abençoe, são os votos da Igreja Evangélica Luterana do Brasil – Diretoria Nacional.




“Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida;” Provérbios 6.23

29/09/2010

Bendito voto


Muita gente não tem liberdade para escolher esposa, marido, profissão, lazer, amigos, religião, governo... Independentemente do fracasso no casamento, no trabalho, nas relações, na fé, na política, se existe a chance para julgar, opinar, expressar, fazer o que se quer e para onde se quer, então, viva o sucesso e viva o fracasso das escolhas de cada um. Que morra o autoritarismo para isto ou aquilo, porque a liberdade é o primordial e supremo desejo do ser humano, e quando lhe é negada, perde-se o sentido da vida.
Contudo, a liberdade tem preço. Ela vale o custo que carrega, mas impõe esforço. E por uma simples razão: ela termina onde começa a do próximo. O meu caminho acaba onde aparece uma rua preferencial – os direitos do outro. “Porque nenhum de nós vive para si mesmo” (Romanos 14.7). É perverso o pensamento pós-moderno, hedonista, que busca o intenso prazer pessoal sem valer-se das consequências. É antidemocrático. O “faça o que estiver no coração” é ditadura do egoísmo. É a tirania do incômodo barulho do vizinho, do lixo jogado na rua, da imprudência no trânsito, da desonestidade na política, da infidelidade dos cônjuges, das falcatruas nos negócios... É a prisão numa mina chilena.
A liberdade está nos genes humano. Está no coração de Deus. Uma autonomia humana até para o bem e para o mal (Gênesis 2.17). A escolha foi errada e deu no que deu, mas foi o primeiro voto da humanidade. Se não fosse a outra e única chance, a morte estaria eternamente ungida. Por isto a santa propaganda eleitoral: “Cristo nos libertou para que sejamos realmente livres. Por isso, continuem firmes como pessoas livres e não se tornem escravos novamente” (Gálatas 5.1).
A respiração da democracia, que oferece “direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” (5º artigo da Constituição), nas virtudes e nos defeitos, lembra os desafios de cada um nas pequenas e grandes decisões do dia-a-dia. E se o governo político existe com a permissão divina (Romanos 13.1), então o voto é uma bênção que merece raciocínio e discernimento. Bendito voto!

Marcos Schmidt
pastor luterano

01/09/2010

GPS do céu

Uma pesquisa na Inglaterra confirma o que já sei por mim: os homens dirigem cerca de 440 km a mais por ano que as mulheres porque não pedem informações. A pesquisa foi realizada com mil motoristas, e mostrou que 74% das mulheres param a fim de pedir informações, enquanto que 37% dos homens não. Preciso admitir que sou um desses que não se dobra quando está perdido. A minha mulher fica braba comigo. Só depois de alguns litros de combustível em vão é que obedeço aos insistentes pedidos dela.
Por que a gente é assim, tão teimoso? Acho que é por isso que tem mais mulher na igreja do que homem. Igreja é lugar onde a gente estaciona e pede ajuda. Para fazer isto, é preciso reconhecer que se meteu em lugar desconhecido, e sozinho não vai encontrar o caminho certo. Este foi o problema do rei Davi. Só depois de gastar todo o tanque, confessou: “Ó Senhor, eu já não sou orgulhoso (...) Não vou mais atrás de coisas grandes e extraordinárias, que estão fora do meu alcance” (Salmo 131). A triste história deste motorista na Bíblia nos serve de lição (2 Samuel 11 e 12). Por isso também as suas palavras no Salmo 32 (8,9): “O Senhor Deus me disse: Eu lhe ensinarei o caminho por onde você deve ir; eu vou guiá-lo e orientá-lo. Não seja uma pessoa sem juízo como o cavalo ou a mula, que precisam ser guiados com cabresto e rédeas para que obedeçam”.
Jesus insistiu muito com os arrogantes fariseus para que estacionassem o carro e pedissem orientação. A palavra “fariseu” vem do hebraico e significa “santo”, alguém separado dos outros. Eles se achavam os tais. Um dia Jesus lhes disse: “Ai de vocês, mestres da Lei! Pois guardam a chave que abre a porta da casa da Sabedoria. E nem vocês mesmos entram, nem deixam os outros entrarem” (Lucas 11.52). Hoje Jesus diria: Vocês têm a chave do carro, mas nem vocês nem os caroneiros chegam ao destino certo.
Tomé era homem e cabeça-dura, mesmo assim humilhou-se e perguntou: Como podemos saber o caminho? Jesus respondeu prontamente: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim” (João 14.6). E ele atendeu a sugestão!

Marcos Schmidt
pastor luterano

04/08/2010

Pai meu que está na terra

Está virando rotina histórias como a desse pai que assassinou o filho por causa de um prêmio da Mega-Sena em Cuiabá, da mãe francesa que matou 8 filhos recém-nascidos. Isto não choca mais. Nem a matéria no Fantástico, domingo passado, onde revelou que uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez aborto no Brasil, ou seja, 5 milhões e 300 mil mulheres. Aliás, qual a diferença em matar uma criança pré-nascida de uma criança recém-nascida?
Apesar de tudo, o normal ainda é uma mãe e um pai proteger o filho, no ventre ou fora dele. Uma tarefa que sempre foi mais do pai, o provedor da família, aquele com o braço mais forte, que vai à frente e defende dos predadores. Mas também uma realidade que já não é tão comum – ou pela ausência física do pai (o censo do IBGE mostrará os números exatos), ou pela presença agressora e nociva do pai (o pai está entre o principal agressor contra crianças segundo constatação dos Conselhos Tutelares).
Por isto, como fica a pergunta de Jesus: “Por acaso algum de vocês, que é pai, será capaz de dar uma pedra ao seu filho, quando ele pede pão?” (Mateus 7.9) Diz isto, para tranquilizar sobre os cuidados paternais de Deus: “Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai, que está no céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem” (7.11). Um pouco antes Jesus já tinha ensinado a oração do “Pai Nosso” – que segundo explicação de Lutero, “Deus quer atrair-nos carinhosamente com essas palavras, para cremos que ele é o nosso verdadeiro Pai e nós, os seus verdadeiros filhos”. Mas, como fica esta imagem de Deus, nesse referencial “pai”? Obviamente, prejudicada. Por isto o primeiro pedido nessa oração: “Santificado seja o teu nome”. Isto é: “Ó Deus, me ajude a ser um bom pai para que os meus filhos possam crer que tu és um bom Pai”.
E sendo sincero, nem precisa ser um agressor ou assassino para ser um mau pai. Basta ser um “pai que está na terra”, com a imagem de Adão. Eis a razão do quinto pedido: “E perdoa as nossas ofensas”. Felizmente aquele que ensinou essa oração, também mostrou o caminho para ser pai: “Quem ouve e pratica os meus ensinos é como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha” (Mateus 7.24).

Marcos Schmidt
pastor luterano

27/07/2010

Líder ateista satiriza o Cristianismo e “desbatiza” seguidores usando um secador de cabelo

Um líder ateísta “desbatizou” dezenas de seguidores não crentes usando no ritual um secador de cabelo. Com o aparelho, simbolicamente, ele retirou toda a água lançada na cabeça durante o batismo tradicional. A cerimônia “desreligiosa” foi exibida no popular programa “Nightline”, da rede ABC, nos EUA.
Edwin Kagin, responsável pelo “desbatismo”, disse acreditar que os pais cometem um grande erro ao deixar as crianças serem batizadas sem que elas tenham idade para entender o que está se passando. O líder ateísta, criado em família presbiteriana, chega a afirmar que alguns casos de educação religiosa deveriam ser punidos por “abuso infantil”. Ele classifica a sua “anticruzada” como uma “guerra civil religiosa americana”. Formado em Direito, ele percorre os EUA defendendo suas ideias.
“Fui batizada como católica, mas não me lembro de nada. Minha mãe diz que eu gritava muito. Então você pode perceber que mesmo bem nova eu não queria ser batizada. Não é justo. Eu nasci ateia e me forçaram a ser católica”, afirmou Cambridge Boxterman, de 24 anos, que ganhou de Kagin uma “certidão de desbatismo” em Newark.
Ironicamente, um dos filhos de Kagin se tornou um sacerdote cristão fundamentalista depois de ter tido, segundo ele, uma “revelação de Jesus Cristo”.

Cada vez mais a gente vê as profecias Bíblicas cumprindo-se. No fim dos tempos iriam aparecer coisas absurdas e tempos difíceis à igreja de Cristo.

Sempre acreditei que nós, cristãos, somos testemunhas de Jesus, e não advogados dele. Não precisamos defender Deus e muito menos atacar aqueles que não têm a mesma fé ou são ateus e até ridicularizam a nossa crença. A tarefa que temos sempre será esta, indicada por Jesus: Vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que eu tenho ordenado” (Mateus 28). Por isto, não vai ser um secador de cabelo, ou qualquer outro instrumento humano que conseguirá desfazer “a mensagem da morte de Cristo na cruz – loucura para os que estão se perdendo, mas poder de Deus para os que estão sendo salvos” (1 Coríntios 1.18).
Por isso, continuemos firmes no nosso testemunho, pois a recompensa dos que permanecerem firmes na fé, é a vida eterna no céu.

14/07/2010

Deu no que deu

Esperar o quê de alguém abandonado por uma mãe drogada e por um pai fichado na polícia 7 vezes? Criado pela avó, não teve uma família que toda criança precisa. Há exceções, mas são milagres. Em todo o caso, o infortúnio deste goleiro está na mídia porque é a vida de gente famosa. Mas uma história comum – fruto dessa sociedade que não sabe mais onde enfiar tanta gente nos presídios, que se prende a si mesma em segurança atrás de muros, e que sofre a violência no próprio lar.

Foi o ministro Gilmar Mendes que declarou num encontro sobre drogas: “Só a Justiça não conseguirá vencer a guerra. Cada família, cada cidadão – somos todos responsáveis”. Agora então a solução para salvar a sociedade está na família? E a solução para salvar a família? O psicanalista francês Charles Melman já alertou: “A instituição familiar está desaparecendo e as conseqüências são imprevisíveis”. Isto todos percebem. O que se desconhece é a causa da falência do lar, e que alguns sugerem a ausência paterna. Segundo Melman, devido o declínio do referencial masculino na família, os jovens têm dificuldades para estabelecer um ideal de vida. Um assunto abordado também pelo psicanalista brasileiro Rubens de Aguiar Maciel, ao afirmar que há descaso e desconhecimento científico sobre o tema “paternidade”. Sustenta que o pai é figura fundamental na estruturação da personalidade da criança, do lado emocional dela. Conclui que a falta do pai sempre é prejudicial, pela função que tem de estabelecer limites à criança, passar a noção de ela não é o centro do Universo. Na ausência do modelo paternal, afirma que isto “pode trazer uma série de fantasias e consequências, mais ou menos sérias, dependendo do convívio da criança com outras figuras masculinas”.

É por isto que, dos Dez Mandamentos, o único que contém uma promessa é este que trata da família pai, mãe, filhos: “Filhos, o dever cristão de vocês é obedecer ao seu pai e à sua mãe (...) Faça isso a fim de que tudo corra bem para você, e você viva muito tempo na terra” (Efésios 6.1,3). Bruno, tragicamente, não teve pai nem mãe para obedecer e se dar bem na vida. Deu no que deu.

Marcos Schmidt
pastor luterano

30/06/2010

Jogo decisivo

“Devemos nos esforçar pela excelência da Copa do Mundo, e ao mesmo tempo, garantir que ela deixe benefícios para todo o povo”. São palavras de Nelson Mandela, que passou quase um terço da vida atrás das grades sob o regime racista do apartheid, e que hoje, aos 92 anos, ainda é considerado a pedra fundamental para a paz entre brancos e negros sul-africanos. Dono das virtudes do perdão e da reconciliação, a exemplo de José – o famoso personagem bíblico vendido pelos irmãos como escravo – Mandela seguiu pelo mesmo caminho depois da prisão ao tornar-se chefe da nação. Quem conhece a história bíblica, no entanto, lembra que o novo faraó do Egito “não sabia nada a respeito de José” (Êxodo 1.8), e os efeitos desta amnésia foi o apartheid no Egito. Mandela sabe deste perigo, e por isto outra frase dele: “Que a recompensa trazida pela Copa do Mundo prove que a longa espera pela liberdade em solo africano valeu à pena”.
E se as palavras deste líder africano têm respaldo na própria vida, valem também estas: "Não há caminho fácil para a liberdade”. Lembro aqui de outra figura bíblica, Paulo, que também esteve na prisão e marcou um dos gols mais bonitos no gramado das Escrituras: “Cristo nos libertou para que sejamos realmente pessoas livres. Por isto, continuemos firmes como pessoas livres e não se tornem novamente escravos” (Gálatas 5.1). Essa epístola tem um recado sobre o perigo de “outro evangelho” (1.7), crença baseada na justiça e regras humanas, e que coloca Cristo para escanteio. E por isto gera confusão no meio de campo: inimizades, brigas, ciumeiras, acessos de raiva, ambição egoísta, desunião, divisões (5.20).
Mandela joga na prorrogação de uma partida decisiva, e a Copa do Mundo pode coroar a vitória da liberdade política, conquistada com sacrifício. No entanto, educado no cristianismo e assistido por capelães religiosos nos tempos de presídio, aprendeu que a escravidão está mesmo no coração e não numa cela. Isto porque “não existe diferença entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos são um só por estarem unidos com Cristo Jesus” (Gálatas 3.28). Este é o maior benefício que alguém pode receber neste mundo injusto e segregado.
Marcos Schmidt
pastor luterano

23/06/2010

A fogueira do João

No meio de fogueiras e futebol, João Batista é lembrado (e esquecido) neste 24 de junho, que conforme a tradição, nasceu 6 meses antes de Jesus. Foi um cara esquisito já nos padrões daquele tempo. Ermitão do deserto, com um roupão de couro de camelo, comendo gafanhotos, vuvuzelava às pessoas: “Arrependam-se dos seus pecados porque o reino do céu está perto” (Mateus 3). Teve um final melancólico – foi preso por falar o que não devia e decapitado, com a cabeça numa bandeja. Tudo pelos caprichos de um rei que também perdeu a cabeça, mas por uma dança sensual de Salomé (Mateus 14.11).

Estranho festejar a vida deste pobre coitado, vestindo-se de caipira e dançando quadrilha. Mas tem alguma coisa normal neste planeta? As contrariedades são as regras, as normalidades exceções. Por isto, seria uma vida decadente ao formato de sucesso, se Jesus não tivesse afirmado: “De todos os homens que nasceram, João Batista é o maior” (Mateus 11.11). “Ele é o cara”. Esta é a conclusão do Salvador. Com isto, João tem de volta a cabeça, a boca, a voz, a mensagem. A vida. E por quê? Porque ele preparou o caminho para passar aquele que disse: Eu sou a Vida. É que João Batista pregou o arrependimento dos pecados, a única estrada para o perdão que Jesus oferece na cruz.

Os problemas são os outdoors, as propagandas que surgem na viagem. E que convidam aos atalhos e caminhos alternativos. Algo parecido com a própria festa de São João. O objetivo dela é a reflexão. Nada contra os festejos, mas então, que fosse a Festa da Fogueira, ou coisa parecida. São as contrariedades. E assim a gente vive o dia-a-dia. Depois, quando termina a brincadeira, vem o que é sério. E daí não adianta dançar quadrilha, ou vestir a camiseta do time.

Também não adianta ser um João Batista. Foi Jesus quem disse: “Ele jejua e não bebe vinho, e todos dizem: está endemoniado. O Filho do Homem come e bebe vinho, e todos dizem: Vejam! Este homem é comilão e beberrão”. (Lucas 11.18). Por isto a conclusão do Salvador: não importa o que as pessoas falam, o que interessa é o resultado, o que a pessoa é. Algo difícil quando a gente vive de aparência e não de substância. Mas nada impossível enquanto o reino do céu ainda está perto.

Marcos Schmidt
pastor luterano

18/06/2010

A vida eterna é certa!

Acompanhando a copa do Mundo de futebol, escuto e leio a notícia de que faleceu o pobre do José Saramago. "Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família”, Digo pobre, pois a sua esperança estava somente para esta vida.
Morre um dos mais ferrenhos inimigos da Igreja Cristã em nosso tempo.
O que será que passou em sua mente nos últimos instantes em que respirou? E para a cristandade não há sentimento de vitória, mas de pena, pois a nossa mente é a mente de Cristo, que deseja que ninguém se perca, mas receba a vida eterna.
E quantos não pensam como este ateu?
E você, meu amigo e minha amiga, qual é o seu pensamento a respeito da fé Cristã?
Que seja diferente do pensamento defendido por este escritor, pois a esta altura ele já comprovou pessoalmente que sua vida, sua crença a respeito da Fé Cristã estava equivocada. Para Saramago não tem mais volta, a chance dele passou, a oportunidade foi desperdiçada e, foram 87 anos de oportunidades e de desperdício, mas para nós, que estamos vivos, a oportunidade bate à porta. É o que Deus diz através das palavras do Apóstolo Paulo em 2Coríntios 6.2: “Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação, eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação”.
Compartilhemos e testemunhemos a nossa fé no Salvador Jesus, pois vivendo assim, poderemos morrer sem temer nem ter surpresas desagradáveis e tristes, já que a nossa esperança está baseada naquele que é vencedor sobre a morte, JESUS e que garante: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que crê em mim, não morrerá eternamente”. (Jo 11.25,26).

CREIA NISSO! ESPALHE ISSO! VIVA ISSO!

Continuemos a nossa missão...
Amém!
Pastor Darcy Schreiber

12/06/2010

Copa do Mundo e Namoro


Uma partida de futebol é igual à relação no casamento: há paixão, amor, ódio, disputa, desentendimentos, torcida contra e a favor, e o jogo só funciona com dois times em campo sob regras e respeito. Esta semana começou maior espetáculo do futebol e sábado é o Dia dos Namorados. São duas paixões que podem selar união ou desunião, alegrias ou tristezas, bênção ou desgraça. O presidente da África do Sul deveria saber disto, ele que joga contra três times e já pensa na quarta mulher. Uma delas não aguentou a deslealdade e fez um joguinho extra-oficial.

Referindo-se a Copa do Mundo na África, Nelson Mandela fez uma declaração que bem poderia ser sobre o casamento: “Devemos nos esforçar pela excelência do evento e, ao mesmo tempo, garantir que ele deixe benefícios para todo o povo”. Ele, que viveu 27 anos na prisão sob o regime apartheid, soube vencer a injustiça racial com paciência e persistência. Um belo exemplo quando as relações políticas e sociais têm as mesmas bases da relação entre um homem e uma mulher no matrimônio – lealdade, respeito, compromisso, justiça, trabalho. Que são atitudes do amor. Mas quando este amor não é convocado, o apito do juiz provoca mais barulho do que as festivas cornetas africanas, e o jogo fica feio. Por isto a bagunça neste planeta, que precisa de um tremendo aparato de segurança contra a violência para manter a harmonia em torno da bola – a jabulani, que significa celebração.

E celebração é o que todos desejam nos esportes, no casamento, na família, na política, na sociedade. É o que Deus também quer. Afinal, o mundo é obra Dele. E nada mais festivo do que as maravilhas da África. Mas os contrastes deste imenso continente, sua pobreza, fome, guerras, tudo isto revela um mundo contraditório, onde a “bola da vida” jabulani rola no gramado da morte e da desilusão.

Mas foi Mandela quem disse, que "não há caminho fácil para a liberdade”. É o que a Bíblia lembra: “Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência” (1 Coríntios 13). É o ágape, a bola perfeita fabricada por Cristo. É deste amor atitude que o mundo precisa – condicionamento espiritual que supera o egoísmo e as paixões inconsequentes, e transforma o futebol e o casamento em duradoura celebração.

Marcos Schmidt
pastor luterano

26/05/2010

Vida em laboratório?

A notícia da semana passada, que pesquisadores americanos recriaram a vida, lembra aquela historinha do cientista que chegou para Deus e disse:
– Senhor, agora podemos também criar a vida.
– Tudo bem, disse Deus. Mas, antes, vamos fazer um teste.
– Que tipo de teste?
– Um teste de fazer gente, respondeu Deus.
– Legal, exclamou o cientista. Rapidamente se adiantou, pegou um punhado de barro e disse:
– Vamos lá, estou pronto!
Mas Deus retrucou:
– Assim não vale, tu tens que criar o teu próprio barro.

Propaganda enganosa – descreveu Moacyr Scliar sobre esta célula sintética inventada em laboratório. O que eles fizeram foi colocar na célula um enxerto que poderá ser programado para fabricar vacinas, medicamentos e até biocombustível, explica o médico. E ressalta o que todos já sabem: atrás desta pesquisa há muito interesse em grana. Por outro lado, "nas mãos erradas, a novidade de hoje pode representar amanhã um devastador salto ao desconhecido", afirmou o Vaticano. Esta é a preocupação sobre a célula sintética, que pode trazer um impacto imprevisível e catastrófico à humanidade. Parecido com o urânio enriquecido, que além do uso medicinal, produz a bomba atômica.

Foi assim na primeira tecnologia – o manuseio do petróleo tanto na Arca de Noé como na Torre de Babel (Gn 6.14 e 11.2). “Logo serão capazes de fazer o que quiserem”, questionou o Criador, antes de derrubar a soberba construção. Mas, e hoje quando as torres alcançam infinitamente os céus da tecnologia. Infinitamente? Scliar responde: “O problema para nós, humanos, não é o de criar a vida; o furo está mais abaixo (ou mais acima). O problema é o que fazer com a nossa vida. E, a resposta nenhum laboratório a dará”.

O que fazer com a vida? O que fazer com a morte? Contraditório! Quanto mais descobertas, mais dúvidas; quanto mais remédios, mais doenças; quanto mais tecnologia para a vida, mais tecnologia para a morte. Não será isto um alerta quando os mistérios nos microorganismos e no Universo têm a permissão para serem desvendados? Por aquele que soprou nas células do complexo corpo humano a alma vivente? Um sinal amoroso daquele que se fez homem para recriar no laboratório da cruz a divina imagem perdida? Creio que sim!

Marcos Schmidt
pastor luterano

07/05/2010

Morto absolve acusado seu próprio assassinato

O filme “Chico Xavier” esteve por mais de três semanas consecutivas no topo das bilheterias nacionais. Em 20 de abril, O Globo já havia registrado mais de dois milhões de ingressos vendidos. Um “sucesso nacional” segundo um espectador.
O espiritismo é, sem sombra de dúvidas, um sucesso nacional brasileiro. Nem na França, onde Alan Kardec escreveu o Livro dos Espíritos, existem tantos adeptos e simpatizantes quantos no Brasil hoje, que chega a quase 2,3 milhões.
O filme, apesar de transbordante de amor, me lembrou dos velhos filmes de bang-bang. Existe um vilão e um mocinho. Quem assistiu ao filme, pôde perceber quem é quem. O padre intolerante e ignorante e um órfão dotado de poderes os quais ele não pode esconder ou guardar para si. Até o nome de seu guia espiritual sugere a proximidade com o divino: Emanuel – Deus conosco. E o melhor de tudo é que não precisamos deixar o cristianismo de lado para seguirmos o espiritismo. Pra falar a verdade, quem necessita de um salvador, já que podemos reencarnar quantas vezes forem necessárias?
Tudo isto pode soar muito atrativo, mas a coisa muda quando verificamos com cautela o “verdadeiro” vilão da história (se é que podemos usar esse termo e não sermos tachados de “intolerantes ou ignorantes”). O Espírito de Deus diz claramente que, nos últimos tempos, alguns abandonarão a fé. Eles darão atenção a espíritos enganadores e a ensinamentos que vêm de demônios (1 Tm 4.1).
Mas como é que um demônio pode ditar uma carta com tantos detalhes sobre a vida dos vivos? Por que estas cartas servem de consolo, mesmo que um consolo passageiro? Como pode um demônio ter poder de, através de uma simples carta do além, inocentar um criminoso que, acidentalmente, atirou no seu melhor amigo? Paulo diz: isso não é de admirar, pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz (2 Co 11.4).
É difícil ser cristão e espírita ao mesmo tempo. Um é oposto ao outro. Para que um possa ser o mocinho o outro tem que, necessariamente, ser o vilão. Nesse filme, um morto inocentou um vivo, mas no nosso filme, um ressurreto inocentou multidões de mortos.
Chico Xavier disse: Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. Nós cremos que só Cristo, por graça e por amor, nos deu um novo começo e nos assegurou um fim que nos dá um propósito para vivermos esta vida. Não é um fim falso ou apenas outra chance, mas um começo para o eterno. Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? (Jo 11.25,26).
Otto Neitzel

04/05/2010

Mãe com outras letras “m”

Quando os bebês em qualquer lugarzinho neste planeta choram, é o “mamamã” que balbuciam. Fiquei pensando nesta letra “m” de mãe, e nasceu uma filharada de palavras que vislumbram esta maravilha da criação divina. Começando pelo “m” de metade, a outra que Deus criou: - Vou fazer para o homem uma auxiliadora (Gênesis 2.18). Aqui o termo hebraico “ézer” é o mesmo que o Antigo Testamento usa ao mencionar que Deus é o nosso “auxiliador”. Com o pecado, no entanto, apareceu o “m” do machismo e das malditas brigas. O tempo passou, e hoje a mãe virou a mulher-elástico, com incríveis poderes para a trinca maternidade-matrimônio-mercado. Por isto a infelicidade desta mulher que cuida da casa, do trabalho fora de casa, dos filhos, e das manhas do marido. Situação que propicia os conflitos conjugais. E aí surge o “m” de madrasta – do tipo que matou Isabella. E com tantos casamentos desfeitos, nasce o “m” do medo dentro do próprio lar, onde reina a violência, abusos e até assassinatos de filhos e enteados. Por isto o “m” da maldade – aquela que segundo palavras de Jesus (Mateus 24.12), vai se espalhar de tal maneira, que o amor de muitos esfriará. O que gera um mundo com o “m” de monstruoso.
Seria a vitória do “m” da morte se o “m” da misericórdia divina não surgisse. Porque, igual ao amor da mãe que consola o filho, Deus promete consolar aqueles que choram (Isaías 66.13). Um Deus-mãe que mandou o seu filho para salvar o mundo (João 3.17). E se neste mês de maio também aparece o “m” da mensagem de Pentecostes (23 de maio) – semente do Espírito Santo que concebe no coração humano amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade e domínio próprio (Gálatas 5.22), então o mundo ainda tem jeito.
Um jeito parecido com aquilo que vimos pela televisão nesta última segunda-feira, quando mães destrocaram os seus filhos. Sob muita comoção e choro, as duas mulheres de Goiânia tiveram que devolver entre si os bebês trocados na maternidade. Pensei aqui no “m” do amor que não depende de um exame de DNA. Pois neste mundo com tantas trocas e destrocas, só mesmo o “m” de milagre. Milagre que nasceu daquela que se chama Maria...
Marcos Schmidt
pastor luterano

14/04/2010

Lixo – o que fazer?


O que impressiona nesta tragédia no Morro do Bumba é o fato das pessoas não saberem que moravam em cima de um monte de lixo. O morro era um antigo lixão desativado em 1981 – um vulcão que acordou e explodiu pelo gás metano. Parece que este é o nosso problema: não sabemos, ou fazemos de conta que não sabemos, que o lixo volta, e volta com poder destruidor.

O apóstolo Paulo também não sabia que a vida dele estava construída sob um entulho. Depois de descobrir, confessou: “Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo” (Filipenses 3.8). No original do Novo Testamento está a palavra “skubalon”, que deriva da palavra grega “skor” – refugo. Ele usa este termo para falar da sua antiga crença, uma montanha de regras religiosas e que produziu um terrível gás, tão forte que explodiu em fanatismo e ódio. Paulo, no entanto, foi resgatado dos escombros e saiu com vida, e por isto o seu testemunho: “Tudo o que eu quero é conhecer a Cristo e sentir em mim o poder da sua ressurreição” (3.10).

Se este escritor da Bíblia vivesse nos tempos do lixo moderno, quem sabe usaria o Morro do Bumba para dizer: “Antes de construir as casas, olhem bem o terreno. Usem como fundamento o Cristo ressuscitado e não o lixão”. E penso que ele não escreveria mais “Eu joguei tudo fora como se fosse lixo”. No lugar, diria: “Eu reciclei, separei o lixo, coloquei no devido lugar”. Nesta mesma epístola, onde fala do refugo espiritual que polui a alma, Paulo observa: “Vivam de acordo com o evangelho de Cristo” (1.27). “Viver” aqui no grego é “politeuesthe”, e a tradução mais exata seria: “Vivam politicamente de acordo com o Evangelho de Cristo”. Ou seja, o cristão não tem desculpa – ele sabe que o meio ambiente é um presente de Deus, e que tem um compromisso político de preservá-lo.

Tragicamente estamos colhendo as consequências da nossa ganância, irresponsabilidade, estupidez. Mas ainda existe uma saída para este problema do lixo, tanto o espiritual como o material. E certamente não é para debaixo do tapete...

Marcos Schmidt
pastor luterano

01/04/2010

Sexta - Feira Santa

Na Sexta-Feira Santa contemplamos a paixão e a morte de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Suplicamos a Deus Espírito Santo que nos ilumine para entendermos corretamente a paixão e a morte de Cristo, para notar bem a causa de sua morte, que são nossos pecados, e a bênção de sua morte, que é a nossa salvação. Que o Espírito nos fortaleça e firme na fé e na vida santificada.
O texto, que nos serve de base, é do profeta Isaías 52.13 – 53.1-12. Ele o escreveu 800 anos antes do nascimento de Jesus. Isaías descreve o sofrimento de Jesus de forma tão impressionante que parece estar ele ao pé da cruz em meio à multidão, presenciando os acontecimentos.
Ao meditarmos sobre a paixão de Cristo, precisamos ter certos cuidados. Muitas vezes destacamos a ação dos líderes religiosos da época, do sumo sacerdote, dos fariseus e anciões do povo que condenaram Jesus, a ação de Pôncio Pilatos, seus soldados e do povo que gritou: Crucifica-o! Isto é importante, mas não acertamos o ponto se só olhamos para a ação dessas pessoas. Precisamos, sobre tudo, focalizar aquele que está atuando aqui, e este é Deus Pai com seu Filho Jesus Cristo que voluntariamente se submete à vontade do Pai. Pois, Jesus não foi uma vítima das circunstâncias ou do ódio das pessoas. Ele se entregou voluntariamente em obediência ao Pai, por amor à humanidade. Por isso precisamos manter que quem está agindo aqui e dirigindo tudo é Deus Pai. “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo (2 Co 5.19).” Só então compreenderemos a verdadeira grandeza desses acontecimentos.
Isto nos leva de imediato à pergunta: Como é possível harmonizar aqui a fúria humana, toda a incompreensão, a inveja, o ciúme, o ódio e a crueldade com o amor de Deus? Será Deus o autor de tudo isto? Não, Deus não é o autor do pecado. Isto procede do diabo e de seus servos, as pessoas. Eles são responsáveis por suas ações e terão de responder por isso diante de Deus, como Judas por sua traição. A onisciência de Deus não é a causa do pecado. Mas Deus governa e usa tudo para um fim proveitoso. Também aqui precisamos dizer: “Todas as coisas cooperam para o bem dos que temem e amam a Deus” (Rm 8.28). Pois seus inimigos não puderam ir um milímetro além do que Deus lhes permitiu.
Por isso, a história da paixão mostra o profundo amor do santo e justo Deus para com a humanidade. Este amor que é “loucura” para a razão humana (1 Co 1.23). Nossa razão não o pode captar. O mistério é grande demais. Só podemos prostrar- nos em humilde adoração diante dos acontecimentos e suplicar que Deus nos firme na fé.
Mas vamos ao texto. O texto de Isaías é profundamente consolador. Conta-se que um fiel servo de Deus, ao agonizar com dores do câncer, pediu que colocassem um crucifixo na parede do seu quarto, de tal forma que pudesse vê-lo sempre. E disse: Isto é uma pregação completa que me consola, me enche de esperança e me dá força nos momentos de dor. Realmente assim é este texto do profeta Isaías. Ele nos coloca ao pé da cruz de Cristo.
Com brevidade, queremos analisar cinco pontos: 1) Quem é Servo sofredor? 2) Qual a grandeza do seu sofrimento? 3) Qual a profundidade de sua indizível paciência? 4) Qual a verdadeira causa do seu sofrer? 5) Qual o fruto do seu penoso trabalho?
1. Quem é o Servo sofredor? - O texto fala do sofrimento do “meu Servo”. Este Servo é Jesus, o eterno e unigênito Filho de Deus. Só ele foi capaz disso.
Alguns têm contestado esta afirmação de Isaías. Mas não tem como contestar. O próprio Jesus e os apóstolos confirmam ser esta uma profecia referente a Jesus (Jo 12.37,38; Lc 22.37; Mc 15.28; At 8.32-35; Mt 8.17).
Jesus não foi um sofredor como os malfeitores ao seu lado, dos quais se dizia: “Eles recebem o que seus atos merecem.” Jesus, o Servo sofredor, nunca fez injustiça alguma (v.9).
Jesus não foi um simples mártir que, não sendo compreendido, sofreu por uma causa justa, como muitos mártires cristãos.
Jesus também não foi um revolucionário social que queria reformar a sociedade do seu tempo e por isso foi odiado pelas autoridades eclesiásticas e civis.
Ele é, como Deus o afirma: “O meu servo” (v.4), o Filho amado de Deus, em quem Deus se apraz. Ele desceu voluntariamente à mais profunda miséria humana, por amor à humanidade. Por isso se afirma dele: “Olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse” (v.2). O fato de Jesus ser o “Servo”, o eterno Filho de Deus, dá às suas dores e ao seu sofrimento um sentido bem especial, um valor eterno.
2. Qual a grandeza do seu sofrimento? – Toda a vida de Jesus, desde sua concepção até sua morte e sepultamento, foi um sofrimento.
Temos muitos sofrimentos no mundo. Há pessoas que sofrem desde o nascimento até sua morte, como por exemplo, os excepcionais. Ou pessoas que nascem em grande pobreza e vivem a vida em grande sofrimento até ao fim. Mas nada se compara ao sofrimento de Jesus, o Filho de Deus, que saiu de sua glória celestial e veio ao mundo, humilhou-se a ponto de ser concebido na virgem Maria, uma jovem piedosa, mas que tinham o pecado original e sua natureza pecaminosa. Quando o profeta afirma: “Nenhuma beleza havia que nos agradasse” (v.2). “Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado” (v.10). “Por juízo opressor foi arrebatado” (v.8), o profeta mostra que o sofrimento não foi somente em seu corpo, mas também em sua alma, como Jesus o afirma: “A minha alma está triste até a morte” (Mc 14.34). Ele tomou sobre si os pecados da humanidade e Deus Pai derramou sobre ele, nosso substituto, toda a ira divina. Por isso, ele exclamou na cruz: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste”. Isto expressa sofrimento infernal que ele estava suportando. Não há no mundo sofredor que se possa igualar a ele. É zombaria alguém dizer: Sofro como Cristo.
3. Qual a profundidade de sua indizível paciência? – Dor e sofrimentos são algo horrível. Quando somos acometidos de dor surge em nós uma revolta. Há murmúrio. Há protestos. Há desespero. Mas de Jesus é dito: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Isaías 53.7 RA). Jesus foi de livre e expontânea vontade para o martírio e a cruz, por amor a ti e a mim. Ele sofreu calado e paciente. Só podemos contemplar e adorar com profunda gratidão.
4. Qual a verdadeira causa do seu sofrer. – Isaías afirma: “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si” (v.4). “Ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades” (v.5). “Por causa da transgressão do meu povo foi ele ferido” (v.8).
A verdadeira causa do seu sofrimento foram os pecados da humanidade, os meus e os teus. Isto foge à nossa compreensão. Isto está oculto à razão humana. Ao pé da cruz vemos a grande santidade de Deus e a verdadeira gravidade do nosso pecado. O pecado é ofensa a Deus. E para poder ser perdoado, precisava ser pago. Por isso Deus afirma: “Ao Senhor agradou moe-lo” (v.10). Vejam aqui a atuação de Deus Pai. Ele o moeu. Pessoas perguntam muitas vezes: Por que este caminho? Não haveria outro? Não! A santidade de Deus exigia cumprimento da lei e pagamento pelos pecados, pois “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hebreus 9.22 RA). O Filho voluntariamente disse ao Pai: Eu vou. Deus age em profundo amor para com a humanidade. O profeta afirma: “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (v.5).:“Pois Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Co 5.19).
Assim o Cordeiro de Deus, Jesus, morreu voluntariamente pelos pecados da humanidade. Nem o Pai nem o Espírito Santo morreram pela humanidade, mas somente Jesus Cristo, que, como nosso irmão na carne, por uma única oferta, reconciliou a humanidade com Deus, como o afirma o escritor aos hebreus: “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hebreus 10.14 RA).
5. Qual o fruto do seu penoso trabalho? - O profeta Isaías o destaca com grande precisão. “Pelas suas pisaduras fomos sarados” (v.5). “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito. O meu Servo, o justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos” (v.11). “Por isso eu lhe darei muitos como a sua parte e com os poderosos repartirá ele o despojo” (v.12).
O fruto do seu penoso trabalho é a reconciliação da humanidade com Deus (Rm 5.11; 2 Co 5.19). Para expressar isto a Bíblia usa palavras como: expiar (Dn 9.24), propiciação (Jo 2.9), resgatar (Mt 20.28), salvar (Mc 10.41), remir (Tg 2.14). Há, agora, perdão para todos. Todos foram salvos, resgatados, redimidos (salvação objetiva). Só Deus foi capaz de realizar esta obra.
Esta salvação não é aplicada à humanidade automaticamente, mas oferecida, aplicada e selada por meios, a saber, pela palavra de Deus e os sacramentos. O apóstolo afirma: “Ele nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Co 5.19). Por meio desta palavra o Espírito Santo chama, ilumina e congrega, conduz ao reconhecimento de nossos pecados e da culpa que pesa sobre todos nós. Mostra-nos o Salvador Jesus e opera a fé em todos os que não lhe resistem obstinadamente. A fé é a mão que recebe e se apega à graça de Cristo. Pela graça de Cristo somos declarados perdoados e justos. (Ap IV.72) (salvação subjetiva). Pela fé voltamos à comunhão com Deus para viver uma vida com Deus neste mundo e na eternidade.
Sublime amor de Deus em Cristo Jesus. Como agradecer a Deus por tamanho amor? Queremos louvá-lo e proclamar este amor de Cristo por palavras e obras. Amém.
Rev. Horst R. Kuchenbecker

30/03/2010

As calorias da Santa Ceia

Um estudo sobre a obesidade realizado nos Estados Unidos descobriu que o tamanho e a quantidade das refeições nas diversas pinturas da "Última Ceia" aumentaram com o passar dos anos. Foram analisadas 52 pinturas famosas deste quadro bíblico criadas no último milênio, entre elas a obra de Leonardo Da Vinci, e a conclusão foi de que os alimentos colocados diante de Jesus e dos apóstolos carregam mais tinta em até dois terços. "Não há razões religiosas para as refeições ficarem maiores”, comentou um professor de estudos religiosos – conforme li numa matéria sobre o assunto. Mas, tenho lá minhas dúvidas...

Se os quadros da Santa Ceia “engordaram”, concluo que não seja por uma simples questão cultural destes tempos modernos, hábitos que aparecem na balança. Penso que é um aspecto religioso, e que interfere no colesterol espiritual entupindo as artérias da alma. Começando por aquilo que disse Jesus ao Diabo, que “o ser humano não vive só de pão” (Lucas 4.4), ou à multidão que pensava apenas na barriga: “Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna” (João 6.27). Por outro lado, quando o alimento é motivo para divisões, Paulo sugere um ingrediente: “O Reino de Deus não é uma questão de comida ou de bebida, mas de viver corretamente, em paz e com alegria que o Espírito Santo dá” (Romanos 14.17). Julgo por aí que, ao exagerarem nas calorias da Santa Ceia, os artistas cozinharam, sim, religião. Agora, se ela é servida num prato proporcional ao das Escrituras, isto já pertence a outro livro de receitas.

O assunto deveria, no entanto, aguçar o nariz nas delícias da Santa Ceia – estas que foram oferecidas pelo Senhor Jesus na medida certa. Caso contrário, esta ceia até pode provocar indigestão. Ou como disse Paulo aos coríntios: “Quando vocês se reúnem, não é a Ceia do Senhor que vocês comem. Pois, na hora de comer, cada um trata de tomar a sua própria refeição. E assim, enquanto uns ficam com fome, outros chegam até a ficar bêbados”. É que os primeiros cristãos celebravam a Santa Ceia durante uma refeição completa, mas a falta de etiqueta, o egoísmo e a extravagância queimaram a panela da comunhão. Por isto o recado: “A pessoa que comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor, estará sendo julgada ao comer e beber para o seu próprio castigo” (1 Coríntios 11.20,21,29).

Na verdade, quando a Bíblia diz que no cálice e no pão, o comungante toma parte no sangue e no corpo de Cristo (1 Coríntios 10.16), isto mostra que a Santa Ceia é muito mais que uma degustação simbólica. Junto, com e sob o pão e o vinho, está presente o próprio Cristo, que disse: - “Toma e come, isto é o meu corpo, isto é o meu sangue”. Um alimento que vem direto da fonte – daquele que convidou: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome” (João 6.35). Portanto, uma pintura real da salvação que não precisa de acréscimos nas porções dos alimentos. Marcos Schmidt
pastor luterano

28/03/2010

Semana Santa

Com a passagem do Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, semana em que a humanidade relembra os últimos dias de Jesus Cristo antes da sua Crucificação. De forma especial, queremos desejar uma semana abençoada a todos os membros da Celpaz de Humaitá. Quero também desejar aos leitores do blog de todas as partes do mundo uma Semana Santa abençoada. Que o Salvador crucificado acalme o coração de cada um e encha-o com a certeza da ressurreição. Abençoada Semana. Pastor Darcy Schreiber

09/03/2010

A parábola Avatar


Fui com a família assistir o filme Avatar. Junto com a pipoca, refrigerante, estacionamento, deu uns 70 reais. Meio salgado para a maioria. Mas de vez em quando a gente precisa sair da rotina e sentar na poltrona do cinema. Ainda mais quando trata-se de uma super produção que ganhou três Oscars em categorias técnicas - efeitos visuais, fotografia e direção de arte. Foi a primeira vez que coloquei os óculos futurísticos para ver um filme 3D – efeito três dimensões. A ficção científica resume-se numa guerra entre colonizadores humanos e nativos humanoides pelas riquezas naturais num planeta distante. É o ano 2154 no meio de uma crise energética na Terra. A solução é um mineral no planeta Pandora colonizado pelo ser humano. Mas o minério está no território sagrado dos nativos, e como a atmosfera de Pandora é tóxica para os terráqueos, o jeito foi inventar o avatar – uma criação hibrida que mistura ser humano e nativo do planeta. O avatar tinha a missão de espionar e facilitar a expulsão dos nativos. Mas tudo deu errado quando o ser humano Jake, que virou um avatar, “vira a casaca”, e lidera a revolta dos nativos. No final, Jake transforma-se em herói, salvando Pandora dos gananciosos e cruéis seres humanos.

O filme foi acusado nos Estados Unidos de ser propaganda contra o seu governo, onde os vilões são o general, o exército americano e as companhias exploradoras de minério do subsolo. Os heróis são os nativos, o "povo da floresta", que enfrentam o invasor americano. O recado parece ser este mesmo, sobretudo por aquilo que acontece no Iraque. Na verdade, em qualquer filme, novela, livro, sempre existe uma mente que tenta passar alguma mensagem. E dependendo de quem está no outro lado, a mensagem é interpretada de uma forma bem diferente. No meu caso, filtrei o filme na minha concepção teológica. Bem coisa de pastor. E assim criei no meu imaginário um avatar – Jesus Cristo.

Em Filipenses (2.6,7) está escrito: “Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos”. Acho que foi o diretor James Cameron que se inspirou em Jesus para escrever e dirigir Avatar. Com algumas diferenças, é claro. Mas as semelhanças são interessantes. Jesus deixa o seu reino, torna-se um “híbrido” Deus-homem, vence e expulsa os inimigos – o general Satanás, o exército da morte com suas armas nocivas, e as companhias exploradoras do subsolo da natureza humana. Se para alguns é pura ficção, mito, isto tem explicação: este também é um filme com efeito tridimensional. Sem os óculos da fé apenas se enxerga as imagens da dimensão material. Por isto Jesus disse: “Mas vocês, como são felizes! Pois os seus olhos vêem” (Mateus 13.16).

Valeu a pena assistir Avatar. Na saída devolvemos os óculos especiais e voltamos a enxergar as batalhas da dimensão terrena – os perigos do trânsito, a violência, o desrespeito, a ganância... Fiquei pensando: - Ah, como seria diferente se todos tivessem os óculos para enxergar a dimensão do amor de Deus. Mas está já é outra batalha...

Marcos Schmidt
pastor luterano

03/03/2010

Preparados para as tragédias


Os chilenos sabiam que este terremoto iria chegar a qualquer hora. Eles moram bem em cima de uma rachadura na Terra – uma placa tectônica – e por isto estavam preparados, tanto que o número de vítimas é pequeno em relação ao tamanho da destruição. Diferente no Haiti, onde a própria situação de caos social em que já se encontrava o país caribenho, junto com o descaso sobre possíveis terremotos, colaborou para os duzentos mil mortos.

No Brasil não precisamos nos preocupar com terremotos. Ao menos é o que dizem. Mas existe o perigo para outras catástrofes naturais. Enchentes, secas, tornados, e até tsunamis – estas terríveis ondas gigantes. Lembro-me do alerta divulgado tempos atrás sobre uma possível onda gigante provocada pelo vulcão Cumbre Vieja nas ilhas Canárias. Se o vulcão entrar em atividade, uma enorme montanha pode deslizar no mar, formando uma onda jamais vista que atingirá três continentes. Os cientistas responsáveis pela notícia recomendam acompanhar o vulcão e emitir sinais de alerta, para que as pessoas possam ser retiradas das áreas de risco e reduzir o número de vítimas. No Brasil a região norte seria atingida por este tsunami.

“Isto nunca vai acontecer”. Esta é uma frase perigosa. Precisamos, ao contrário, estar em prontidão para situações de risco. Pode ser que nunca aconteçam, mas se chegarem, temos uma “defesa civil”, que fará a diferença. Pois, se nesta vida terrena isto é importante, na espiritual é imprescindível. E aí busco um texto oportuno na Bíblia quando o assunto é o terremoto no Chile. Encontra-se no livro de Hebreus: “Naquele tempo a voz de Deus fez com que a terra estremecesse, mas agora ele prometeu isto: ‘Mais uma vez farei com que trema não somente a terra, mas também o céu’. As palavras ‘mais uma vez’ mostram bem que as coisas criadas serão abaladas e mudadas, para que as que não podem ser abaladas continuem como estão. Por isso sejamos agradecidos, pois já recebemos um Reino que não pode ser abalado” (12.26-28).
Pode parecer cruel, mas os terremotos nos dão este recado: o chão em que pisamos um dia vai ruir completa e definitivamente para dar lugar a uma terra onde não tem “terremotos”. Estamos preparados? Creio que o terremoto da Sexta-Feira Santa aponta para o plano de emergência. Narram os Evangelhos que a terra tremeu e as rochas se partiram no momento quando o Filho de Deus morreu no Calvário. Este abalo provocou um resultado parecido com o daquele que livrou Paulo e Silas da prisão. Conta o livro de Atos que “o chão tremeu tanto, que abalou os alicerces da cadeia” (16.26). Foi assim na cruz. Os pilares que sustentavam a prisão do pecado ruíram e Cristo resgatou a todos dos escombros espirituais.

Sem dúvida o terremoto no Chile aponta para este recado do Salvador: “O que eu lhes digo, digo a todos: fiquem vigiando” (Marcos 13.37).

Marcos Schmidt
pastor luterano